Foram 3 dias, 14 marcas e muito conteúdo de moda na cidade maravilhosa. Uma empreitada dos produtores do Rock in Rio e da Art Rio, o Rio Moda Rio reuniu desfiles, gastronomia, shows e palestras no Pier Mauá na última semana.  Ainda seguindo as tendências do “see now, buy now”, algumas grifes disponibilizaram suas coleções apresentadas na passarela durante o evento mesmo. O IFM compareceu à semana de moda carioca e conta os highlights de três dias intensos de moda carioca:

Patrícia Vieira abriu o evento com seu clássico couro que, dessa vez, trouxe a sensualidade das cubanas com flores estampadas, aplicadas e transparências. A estilista seguiu os passos do kaiser Karl Lagerfeld e teve sua coleção Verão 2017 seguindo também a linha da ilha caribenha com músicas temáticas e tudo. No entanto, a mulher de Cuba retratada por Patrícia foi uma mulher menos tropical e mais vestida para a noite, não tão casual; mais couture, mais glam. Peças majoritariamente midis e em couro – DNA da marca, croppeds, franjas e fendas também foram vistas.

patrícia vieira O que rolou de melhor no Rio Moda Rio day 1

Em seguida veio a Martu que estreou no Rio Moda Rio mostrando a mulher carioca despojada, irreverente e adepta a um hi-lo. Esta é a primeira coleção em 10 anos de marca, cujo último desfile foi no Out/Inv 2014 do SPFW. Ou seja: voltou com tudo! Marta Macedo quis desconstruir o glamour da noite dando mais autenticidade nas roupas de festa. O mais legal? A coleção é atemporal e segue os rumos das maisons internacionais com o “see now, buy now” – o que foi apresentado no desfile na quarta-feira já estava à venda no seu ateliê, no Jardim Botânico, no dia seguinte. Nada de esperar meses como antigamente para as coleções chegarem às lojas.

martu O que rolou de melhor no Rio Moda Rio day 1

 

Mais tarde, Lino Villaventura também fez uma bela estreia no RMR- essa foi, na verdade, sua terceira semana de moda nessa temporada, depois do Minas Trend e do SPFW. Mas ele mostrou as mesmas peças nos três desfiles? Não. Em São Paulo, em suas palavras, ele mostrou o “suprassumo”, ou seja, roupas que davam mais efeito pra foto, tudo por causa da presença do super fotógrafo Miro; em Belo Horizonte, a história foi mais comercial; já no Rio, Lino mostrou uma parte mais centrada na passarela, mais especial e bem a cara do Rio de Janeiro. No total, somando os três desfiles, totalizaram cerca de 60 looks – uma coleção completa, que incluía couro em botas-faixas-skinny, amassados assimétricos e uma paleta de cores fortes e brilhosas. 

Lino Villaventura O que rolou de melhor no Rio Moda Rio day 1

Por último, Guto Carvalhoneto juntou o corte certo, algodão, renda irlandesa (que vem do interior do Sergipe), autenticidade e ousadia num desfile em que o preto, branco e o prata reinaram. A camisa, ora decotada, ora cobrindo o pescoço, foi o elemento chave; calças de alfaiataria e skinny que vão no joelho também foram vistas. Um destaque para o desfile foi a cantora e bancária Carô Renne, que estreou nas passarelas de Guto, embora não seja novidade para o estilista.  A mineira tem alopécia universalis, uma rara condição genética que a impede de ter pêlos em em todo o corpo desde o nascimento. Com esse visual diferente, ela foi a estrela também do vídeo filmado e dirigido por Guto, chamado Primeiro Grito, projetado no começo da apresentação. “Eu faço uma extraterrestre, que caiu no sertão, sem roupa nenhuma, e começou a se vestir com as camisas de algodão que encontrava pendurada em cercas de arame farpado”, disse ao site do RMR. Carô, que também fotografou a campanha anterior de Guto, abriu e fechou a apresentação do estilista e só fez elogios a ele. “A moda mostra um padrão que as pessoas se espelham. O legal do Guto é que ele não se apega a regras e trabalha com pessoas diferentes.”

Lino Villaventura O que rolou de melhor no Rio Moda Rio day 1 160616 guto carvalhoneto pv 17 01 O que rolou de melhor no Rio Moda Rio day 1